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320 – Cocalero (Cocalero) – Bolívia (2007)

Direção: Alejandro Landes
Roteiro: Alejandro Landes
Filho da guerra norteamericana contra as drogas, um índio Aymará chamado Evo – acompanhado de uma tropa de cocaleros (produtores de coca) – atravessa os Andes e o Amazonas vestindo jeans e calçando sandália. Ele encabeça uma contenda histórica para se transformar no primeiro presidente indígena da Bolívia.
Os bastidores e a intimidade da campanha de Evo Morales para a presidência da Bolívia, em 2006.
“Companheiras e companheiros, para ser líder não se necessita estatura. Não se necessita ser alto, nem loiro. Para ser líder, tem que ser engenheiro, doutor ou advogado? Para ser líder, a qualidade pessoal não tem a ver com sua formação. Pode haver companheiras e companheiros que por não haver podido ir à escola não escrevam bem. Não necessariamente o que escreve melhor venha a ser um bom líder. Quando vamos eleger um líder do sindicato não buscamos nada disto.”
“Este dos campos de coca também tem sua história. Com esta coca nós não temos feito a droga. A droga tem sido feita nos EUA, porque nós éramos ingênuos. Eles tem transformado em droga nossa sagrada folha de coca. E eles mesmo a consomem. Eles mesmo nos pedem. A Coca-Cola, com que se faz? E isto é deles. A Coca-Cola é com a coca mesmo. Se nós lhes pedíssemos aos EUA que deixe de fazer a Coca Cola, e esta é mundialmente famosa, seria uma tristeza para eles também. Nós mesmos podemos controlar nós bolivianos sem a necessidade do exército americano nem de ninguém.”
“Meu nome é Germán Vargas e sou um trabalhador têxtil. Os Estados Unidos compram muitas coisas que fabricamos. Graças a essas exportações, quase temos um trabalho seguro para sustentar nossas famílias. Eu não tenho nada contra Evo Morales, mas se ele for presidente, os EUA vão deixar de comprar e as fábricas vão fechar. A verdade é que eu tenho medo de perder meu trabalho.”
“Primeiramente, estou muito surpreso e nervoso por estar neste hotel de luxo, com empresários solidários aos pobres, com as maiorias, com indígenas e trabalhadores. É verdade que temos sido permanentemente satanizados, ou criminalizados, quem sabe desprezados, discriminados, mas essas atitudes demonstram que talvez pouquíssima gente pode nos humilhar, nos ultrajar. E não são todos, não poderiam ser todos.”
“Índio de merda! Negro de merda, ande! Kolla de merda! Kolla de merda! Não lhe queremos! O que vem fazer em Santa Cruz? Kolla de merda! Como um índio poderá nos governar? Como pensam que alguém sem nem o primário poderia nos governar?”
“ALCA… ALCA… Ao caralho! Um minuto de silêncio… para a ALCA que está morta!”
“ – Você sabe que a disciplina e a hierarquia das Forças Armadas, é um pilar fundamental da instituição. Você respeitará essa hierarquia e a institucionalidade do exército?
– Antes de chegar ao quartel, eu sabia que tinha de respeitar a hierarquia militar. Como não conhecia os graus, os primeiros dias nos quartel, eu dizia a todos: ‘Meu superior, meu superior’. Neste momento entendi que era importante respeitar a hierarquia militar. Além do mais, se eu ganhar as eleições, de acordo com o Estado Boliviano, serei o Capitão Geral das Forças Armadas. Vocês também têm de respeitar o Capitão Geral das Forças Armadas, não?”
“Terá que usar terno e gravata, não? Mas os presidentes devem usar terno e gravata. Não tem de obedecer as regras? Todos vão estar lhe observando.”
Referências ao Brasil:
– Em uma passeata de Evo, estão erguidas bandeiras de cinco presidentes latino-americanos, entre eles Lula, então presidente do Brasil na época.
– Após entrevista com uma assessora de Evo na TV, o apresentador anuncia a próxima apresentação: “Na volta falaremos com um boliviano que triunfa no exterior, inclusive já foi convocado pela Seleção Brasileira”. Em seguida a câmera mostra o jogador Marcelo Moreno, que, por sinal, saiu da Bolívia e veio ao Brasil para jogar e se profissionalizar no Vitória… que, por sinal, está de volta à elite do futebol brasileiro, lugar de onde nunca deveria ter saído.

Minha nota: 7,8
IMDB:  7,0
ePipoca: 5,5

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